O Amistad Brasileiro
Março 22, 2008
De fato, há muito sabemos a história da abolição da escravatura que realmente merece ser lembrada como um marco num país que no passado tendeu sempre a ser atrasado, e apesar dos atuais avanços, ainda necessita de grandes mudanças. No entanto, em meio a tantas teorias sobretudo no direito de família que não existe mais o sexo masculino e feminino como entidade real (o corpo), mas como papéis e que as leis tendem adotar o casamento entre união do mesmo sexo em consideração a isso e não realmente aos sexos fisiológicos, vemos também uma nova escravidão simbólica, um novo navio negreiro, um novo Amistad.
Sim, o que ocorre na nossa querida nação é um problema de base e isso estamos cansados de saber, mas não é suficiente para nos conformar, pois, os países emergentes e outros já historicamente estabelecidos que sofreram severas perdas e se reergueram. Podemos lembrar a Alemanha depois da primeira guerra mundial, e conseguiram reergue-la em pouco tempo, e depois da segunda guerra mundial, terminou ainda mais arrasada, sem campos de petróleo, e tantas coisas que estava quase de volta na idade média e se reergueu. Vale lembrar também que a Alemanha foi o último país a se unificar na Europa, e era atrasada, mas é o que é hoje. Então todos esses eventos históricos nos levam a seguinte questão: Por que o nosso país vive uma situação, apesar de bem melhor, fora dos padrões de crescimento esperados?
Há muitos fatores, eu não quero entrar no mérito da corrupção, pois este é tão dissimulado que não podemos aqui levantar esses aspectos, pelo menos não neste post. Então, temos que entrar num mérito que se chama tributo. Sim, este que faz a nossa população há tanto tempo reclamar por uma reforma no sistema tributário nacional. O nosso sistema, de tão complexo, foi chamado por Augusto Becker, tributarista, de manicômio jurídico tributário, e realmente com razão, vivemos num emaranhado tão complexo de tributos que só favorecem a quem mais fatura, e mais deve tributos e os sonegam. Quem fica com a carga? E com a maior fiscalização? A renda, sim, a renda do trabalhador. Este sendo carregado pelo Amistad acorrentado, esperando pelo momento da insurreição.
Como dito, a estrutura do sistema tributário nacional, favorece a sonegação por parte dos grandes empresários, e ainda quando não sonegam, passam ao consumidor que já vem oprimido pelas correntes que chegam a 27.5% de sua renda. De maneira que percebemos que os responsáveis por “bancar” o país são os trabalhadores. E podemos perceber a veracidade dos fatos quando os cálculos da instituição de um tributo único (projeto do Partido da República) sobre a movimentação financeira (como a CPMF, já que comprovadamente esta funcionou), de apenas 2,65%. Sim, exatamente, pagaríamos pela movimentação bancária que temos apenas 2,65%, fora os outros benefícios de desnecessidade de declarações complexas, e impossibilidade de sonegação seja pelos grandes, ou pelos pequenos, ou pelos “menores”, os trabalhadores.
Lembrando, que essa alusão de “menores” trás a lume simplesmente a idéia que se tem hoje, de que o trabalhar é desvalorizado, assim como o escravo o era, mas são estes, com seu trabalho que trazem opulência as nações.
Então, todos os de que têm bom siso, atentem para o que alertamos, que é a legitimação da escravidão com a imposição de altos tributos, e a “vista grossa” frente a sonegação de impostos dos “grandes senhores” recebedores da mais-valia.
E a isso chamamos novamente sua atenção, precisamos parar com o aumento de tributos que já crescem em quase 50% do crescimento do PIB em reais. A título de ilustração, trago alguns dados que foram apresentados no Senado por sua excelência o senador José Agripino Maia-DEM. O PIB aumentou de R$ 2,32 bilhões para R$ 2,55 bilhões em 2006/2007, aumentando portanto R$ 229 Bilhões. No mesmo período a arrecadação aumentou de R$ 833 bilhões para R$ 945 bilhões, crescimento de R$ 111 bilhões. Se o PIB cresceu R$ 229 bilhões, e a arrecadação de tributos aumentou R$ 111 bilhões, cresceu a arrecadação quase 50% do crescimento do PIB. Mesmo com o excesso de arrecadação o governo insiste em aumentar os tributos e sempre mascara suas ações. No aumento do IOF, alegou o governo que seria somente para instituições bancárias, como se essas não fossem repassar o custo para seus clientes.
Esperemos então que apareça um “Cinque”, para libertar os escravos deste verdadeiro Amistad, e ainda que tenhamos que percorrer todo o caminho em busca da justiça, que é o que todos nós buscamos, não só na carga tributária, mas em pelo menos quase tudo.
Março 23, 2008 às 12:26 am
Um texto deveras interessante e instigante! Com certeza precisamos de uma Reforma Tributária urgente e decente. Mas, infelizmente esta reforma é sempre dificultada e adiada por determinados políticos e, porque não dizer pela classe política dominante. A qual não está preocupada com nós, o “povo que sofre escravizado” e, nem quer prejudicar os “grandes senhores” mencionados no texto. Que venha um “Cinque”! You’re a fabulous writer!! =]